28.5.12

Frio2

Eu desejei que fosse diferente dessa vez. Como de todas as outras vezes...que fosse recíproco. Eu gostaria que ela olhasse pra mim e se apaixonasse com esse simples olhar.

Mas não é assim, é injusto, é falso...Eu tentei não me importar, tentei fazer com que gostasse de mim... mas isso não é possível. Por quê? Eu não entendo o porque. Apenas sei que parece ser obra do destino. Por mais que eu não me importe. Por mais que pareça forte, a dor de não ser amado parece durar 80 mil anos.

Todos os dias, quando fecho meus olhos, desejo jamais acordar novamente. Porém não é o que acontece: dia após dia eu novamente abro meus olhos para uma nova manha de dor e sofrimento.

Gostaria que o mundo inteiro acabasse para que eu não precise tirar a minha própria vida, pois por alguma razão algo me impede de fazê-lo... então eu escrevo.

Eu estou diante do parapeito, olhando pra baixo, vendo o movimento dos carros lá em baixo. Estou pensando nas ultimas coisas que me vêm em mente antes de me jogar la de cima. Mas ela aparece, linda e pede para que eu não faça isso...todavia, o homem de chapéu esta lá, sóbrio, sem dizer uma única palavra, fumando seu cigarro e cuspindo a fumaça em forma de foice pro alto.

- Não faça isso, você não pode pular daí!
-Porque não? Vai embora, eu não posso tê-la comigo, não serei amado por ninguém, porque você insiste em tentar me impedir. Você é falsa , é um cadáver e não existe. Vai embora.

Eu abro meus braços e imagino a planície verde, onde eu rolava alegre quando criança e ela esta lá, com um longo vestido branco.. possui um rosto singelo, nariz fino e pálido. Seus longos cabelos louros brilham com a luz do sol. Eu vou até ela, adoraria tê-la ao meu lado, pois é o amor da minha vida.... mas quando eu a tenho em meus braços tudo volta a realidade, diante do parapeito, olhando para baixo, vendo o movimento dos carros.

Eu vou pular: abro meus braços - o homem de chapéu sorri -... me atiro em direção ao vazio. Sinto o vento cortando o meu rosto e eu estou caindo como se estivesse pulado para um lindo mergulho em um mar azul.

Eu desejo me tornar melhor e aceitar que ninguém está ao meu lado... aceitar que meu destino é o que sempre foi e será.

O artefato aparece em minhas mão e eu o ponho na cabeça... uma luz verde ascende diante de mim. Eu caminho pelas estrelas agora.

Homem de chapéu? É esse o meu destino? Olhar as pessoas de longe? - Mas ele apenas sorri.

Eu ainda desejo que ela venha a este mundo e me ame, antes de eu ir embora.


Um comentário:

Bianca disse...

merece ir para página de um livro